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Planejamento tributário

Ele paga 16% de imposto hoje. Em 2027 vai pagar 21% sem vender nada a mais

Duas empresas excluídas do Simples por débitos, hoje no Lucro Presumido. A reforma tributária vai alargar a diferença entre os dois regimes justamente em 2027. A conta, com os números reais.

Carlos Henrique Furtuozo
Carlos Henrique Furtuozo · Contador CRC 1SP335677/O-4 na Me Conti e colunista da Jettax
Publicado em 1º de outubro de 2026 · 7 min de leitura

A análise que deu origem a este texto não foi pedida por ninguém. Eu estava olhando a situação de um cliente para outro assunto, fiz uma conta de curiosidade e o resultado me obrigou a ligar para ele.

A situação

Esse cliente tem duas empresas de prestação de serviços. As duas foram excluídas do Simples Nacional no passado, por terem débitos, e desde então estão no Lucro Presumido.

Essa é uma situação mais comum do que parece. A empresa é excluída num ano difícil, a vida segue, o Presumido vira rotina e ninguém mais revisita a decisão. Com o tempo, o regime deixa de ser uma escolha e vira um hábito.

No Simples, pela atividade delas, seriam tributadas pelo Anexo III. Hoje, no Lucro Presumido, a carga tributária efetiva dele está em 16,33%.

O que ninguém está olhando

A reforma tributária não vai tratar os dois regimes do mesmo jeito, e é aí que mora o problema.

A partir de 2027, PIS e Cofins saem de cena e a CBS entra no lugar. Para quem apura pelo Lucro Presumido, isso significa carga maior. Para quem está no Simples Nacional, o DAS continua sendo o DAS: a tributação segue a lógica dos anexos, com os ajustes que já descrevemos no artigo sobre o que muda no Simples em 2027.

Traduzindo para o caso dele: a carga que hoje é de 16,33% passa para cerca de 21% em 2027. No Simples Nacional, continuaria em torno de 9%.

A diferença não é estática. Ela cresce. Hoje a distância entre os dois regimes é de pouco mais de sete pontos. Em 2027 passa de doze. A reforma alarga a diferença justamente no ano em que ele poderia ter voltado ao Simples.

A conta, com os números dele

O faturamento médio é de cerca de R$ 20 mil por mês. Simulei os três cenários:

CenárioCarga efetivaImposto por mês
Lucro Presumido hoje16,33%cerca de R$ 3.266
Lucro Presumido em 2027cerca de 21%cerca de R$ 4.200
Simples Nacional, Anexo IIIcerca de 9%cerca de R$ 1.800

A diferença entre permanecer no Presumido e voltar ao Simples chega a aproximadamente R$ 2.500 por mês a partir de 2027. No ano inteiro, mais de R$ 30 mil pagos a mais, sem vender um real a mais.

Os percentuais são aproximados, como toda projeção feita antes da vigência. Mas a ordem de grandeza não depende do arredondamento: a diferença é de milhares de reais por mês.

O obstáculo real

Saber o caminho certo não é o mesmo que poder percorrê-lo.

Levantei todas as pendências das duas empresas, que é o que impede a volta ao regime. O valor total, mesmo parcelado, não cabia no caixa dele. Recomendar "regularize tudo e volte para o Simples" seria tecnicamente correto e praticamente inútil.

Então a recomendação foi outra: regularizar 100% de pelo menos uma das empresas, a que tivesse a conta mais viável, para que ela voltasse ao Simples Nacional. O custo dessa operação ficaria em torno de R$ 3.500 nos 30 dias seguintes, somando pagamentos à vista e primeiras parcelas dos parcelamentos.

A frase que resume a decisão Gastar R$ 3.500 agora pode apertar o caixa deste mês. Não gastar aperta o caixa do ano inteiro.

O prazo que torna isso urgente

A volta ao Simples Nacional não acontece quando a empresa quiser. Ela depende de uma janela anual, e a janela de 2027 está aberta agora.

O pedido de opção vai até 15 de outubro de 2026, prazo prorrogado pela Resolução CGSN nº 194/2026. As pendências que impedem o ingresso podem ser regularizadas até 30 de outubro de 2026. Quem perder essas datas fica no regime atual o ano inteiro, e volta a ter a chance apenas para 2028.

O passo a passo completo, inclusive para quem tem débitos, está no roteiro da opção pelo Simples Nacional 2027.

Por que fiz uma análise que ninguém pediu

Tem um detalhe nessa história que eu poderia ter deixado quieto: cliente no Lucro Presumido paga mais honorário do que cliente no Simples Nacional. A rotina é mais complexa, as obrigações são maiores, e o preço acompanha.

Recomendar a volta ao Simples reduz o que a Me Conti recebe desse cliente.

Fiz mesmo assim, e não por generosidade. É cálculo. Cliente que descobre, três anos depois, que pagou R$ 90 mil a mais porque ninguém revisou o regime dele, não fica. Cliente que economiza fica, indica e cresce. O segundo cenário paga mais, só que ao longo do tempo.

O que esse caso ensina

Se a sua empresa está no Lucro Presumido

Vale fazer essa conta antes de 15 de outubro, especialmente se a empresa já foi optante pelo Simples e saiu, se presta serviços que cairiam no Anexo III, ou se ninguém revisou o regime nos últimos dois anos.

A projeção para 2027 muda o resultado de comparações que pareciam fechadas. Se quiser que a gente levante as pendências e simule os dois cenários com os seus números, veja como trabalhamos ou chame no WhatsApp.

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